Eu venho e vou como se nada ao meu redor fizesse sentido, como se cada passo dado fosse mais um pé pairando sobre um imenso nada. Ando em casa de um lado para o outro e nenhum lugar parece bom o bastante para me aquietar, eu não devia estar ali, meu plano falhou. E perder-se não é mesmo o pior quando não quero me encontrar, o horror que vos falo, caro amigo, é o de sentir-se avassaladoramente sozinha em meio á multidão. É acordar de manhã e perguntar "cadê?" e depois vagar entre meus devaneios, sem nenhuma perspectiva de dia, é refugiar-se no sono para não pensar. "E sigo por aí viajante, habitante de um lar sem muros".